1º. Domingo do Advento – C - Bem Vindo !

1º. Domingo do Advento – C


 

Estamos iniciando o ano litúrgico. Mais uma vez acendemos uma vela da coroa do Advento, mais uma vez nosso coração se enche da esperança de um tempo novo, mais uma vez lembramos que Jesus nasce, que Cristo vem.

O advento trabalha com a expectativa das duas vindas do Senhor. A primeira vinda aconteceu na carne, sendo a concretização das esperanças de Israel, como vemos no texto do profeta Jeremias. Esta primeira vinda ficará mais evidente próximo do natal. A segunda vinda é na glória, quando acontece o que a teologia chama de parusia. Nesta ocasião o Senhor voltará vitorioso para julgar os vivos e os mortos e para implantar o Reino de um modo definitivo e pleno.

O começo do advento se apoia na expectativa da segunda vinda, baseando-se nas promessas de Deus. Não é uma espera medrosa, do Dia Terrível, apesar das imagens utilizadas no Evangelho de Lucas. Esperamos o dia em “que seremos reunidos à sua direita na comunidade dos justos.” (Oração do Dia). E isso deve ser motivo de alegria.

Onde está a esperança do mundo? Será que realmente somos animados pela esperança, que se funda na certeza do mundo novo? A nossa sociedade é marcada pela desesperança ou desespero. Não existem mais utopias, um por que lutar... Aí facilmente agente se acomoda ou se desespera. Jesus nos diz: “não fiquem insensíveis por causa da gula e da embriaguez, enquanto se espera o dia do Senhor” A pós-modernidade nos diz: “aproveite a vida”, mas oferece algumas falsas ilusões que destroem a vida e escravizam o ser humano. O advento é o tempo do resgate da vigilância. Vigiar não é deixar de viver, mas viver com toda a intensidade e dignidade humana. É viver a vida com a esperança do mundo novo que começa a aqui e agora.

Testemunhar a esperança significa não se acomodar. São Paulo nos diz que o amor deve crescer entre nós, que façamos progressos e progressos ainda maiores. Não somos santos, mas podemos crescer a cada dia. Seria errado imaginar pessoas prontas, acabadas, santas e imaculadas. Elas não existem, ou só aparecem excepcionalmente, quando surge uma Teresa de Calcutá (e mesmo ela não era perfeita e batalhou muito pelo próprio crescimento). Não desejemos a perfeição de ninguém (nem de nós mesmos), mas não toleremos a apatia de ninguém, a começar por nós mesmos. E o que nos faz crescer é a esperança do fim, porque não é uma espera passiva. Trata-se de querer que este mundo novo aconteça, por isso, esforçamo-nos para construí-lo. O que não colabora com o crescimento deve ser purificado. Por isso, é tempo de conversão. Não basta falar que Jesus deve nascer no nosso coração no Natal que se aproxima, se não encontramos gestos concretos que nos levam a viver de um modo mais humano e mais cristão.