Um ano da renúncia do Papa Bento XVII


Há exatamente um ano, fomos surpreendidos com a notícia da renúncia do Papa Bento XVI. Era uma segunda-feira de Carnaval, dia de Nossa Senhora de Lourdes e dia dos enfermos. O Papa havia convocado um consistório, em Roma, para anunciar a canonização de mais três mártires católicos. Os cardeais, atentos para ouvir o anúncio dos novos santos, foram pegos de surpresas quando Bento XVI, com sua voz serena, começou a dizer, em latim, que havia tomado uma decisão de grande importância para a vida da Igreja.
Em um comunicado sucinto, mas substancioso, ele cita sua fragilidade devido à idade avançada e às exigências físicas e mentais do papado. Mas desejava continuar servindo a Igreja por meio de uma vida mais dedicada à oração. No mesmo comunicado, o Santo Padre disse que a Sé de Pedro estaria Vacante e que os cardeais deveriam convocar um novo Conclave para eleger seu sucessor.
A mesma surpresa, que tomou conta dos cardeais reunidos com o Papa em Roma, tomou conta do mundo inteiro naquela manhã do dia 11 de fevereiro de 2013. Nos tempos modernos, todos os Papas cumpriram sua missão apostólica até a morte. O gesto inesperado de Bento XVI chamou toda a Igreja para uma reflexão e todos os que não comungam deste mesmo espírito eclesial a viver um tempo de especulações. Alguns apostavam que o Papa estava gravemente enfermo, outros ainda acreditavam numa crise de grandes repercussões na Igreja. O fato é que todos foram convocados para um período de orações e preces em favor do Conclave para a eleição de um novo Pontífice.
Eu estava acordando, naquele momento, preparando-me para ajudar nas confissões do acampamento de Carnaval, na sede da Canção Nova, quando um telefonema da diretora de Jornalismo, Liliane Borges, me convocava para estar, imediatamente, no estúdio, a fim de comunicar, na TV, a renúncia do Papa. Da minha casa até o estúdio não demoravam mais do que cinco minutos. No meio desse trajeto, arrumando o terno e a camisa, eu ia me perguntando: o que vou dizer na televisão?
Os outros meios de comunicação já haviam anunciado a renúncia do Papa em meio a muitas notícias e muitos boatos. O povo não parava de ligar para a nossa central de informações, querendo saber o que a Canção Nova tinha a dizer sobre o assunto. O suspense era grande. Acionamos nossa casa de missão em Roma. Entramos em contato com padres, bispos, teólogos e canonistas, pois precisávamos ajudar o povo a entender o que estava acontecendo, e não simplesmente anunciar que o Papa havia renunciado nem alimentar, ainda mais, as especulações.
A agilidade de nossa equipe foi surpreendente! Interrompemos nossa programação e entramos no estúdio com a cara e a coragem para anunciar a notícia que tirou o Carnaval de todas as manchetes. Em pouco tempo, entramos, ao vivo, por telefone, com autoridades da Igreja no Brasil e em Roma. Nosso estúdio, em São Paulo, já contava com a presença do Cardeal Dom Cláudio Hummes. Em todas as geradoras da nossa rede de comunicação já era possível ver alguma autoridade da Igreja se pronunciando sobre o acontecimento. O que se sucedeu, a partir daí, foi um trabalho ininterrupto para comunicar e refletir sobre todas as notícias referentes à sucessão do Papa Bento XVI.
Eu também havia feito, há nove anos, a apresentação da cobertura do Conclave que elegeu o Bento XVI; porém, dessa vez, o clima e a expectativa eram diferentes. Trava-se da renúncia de um Papa e das consequências desse fato. Mantivemos, no ar, a mesma postura e a mesma serenidade com que o Papa e a Igreja lidavam com a situação. Procuramos levar o povo a entender que não era necessário especulação, mas oração, pois a Igreja vivia um período de transição e não de paralisação.
Confesso que todos aqueles acontecimentos geraram em mim um amor mais profundo à Igreja, de comunhão mais ardente com o Sucessor de Pedro, seja quem fosse o escolhido. Não merece nenhuma comparação com Bento XVI nem com seu antecessor nem com seu sucessor, cada um foi único e cada um deu e tem dado sua contribuição à Igreja, à sua maneira e docilidade à voz de Deus. Mas não podemos negar que o Papa Bento XVI foi uma bênção que o Céu nos deu para fazer um pontificado iluminado e ser a ponte entre dois grandes pontificados. Louvado seja Deus pela vida e pelo ministério do nosso amado Papa Bento XVI.
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